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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

15.12.25

Papel higiénico e lodo


a. almeida

O acto terrorista ocorrido na Austrália é, em grande medida, consequência da vaga de anti-semitismo que alastra um pouco por todo o mundo, em particular na Europa e até em Portugal. Quando se chega ao ponto de um evento musical com a projecção do Festival da Eurovisão servir de palco e de catalisador de ódio contra Israel e contra os judeus, percebe-se que estão lançadas as sementes para que a violência, incluindo na forma de terrorismo, encontre terreno fértil para germinar e produzir efeitos.

É certo que o Festival da Eurovisão, há muitos anos, se encontra descaracterizado, mal frequentado, reduzido a um produto de consumo acrítico e descartável. Não surpreende, por isso, que alguns dos seus concorrentes se revelem imbuídos de anti-semitismo ao ponto de boicotarem a presença de quem não tem qualquer responsabilidade pelas orientações do seu Estado. Ainda assim, tal ajuda a expor a consistência do lodo ideológico em que determinados facciosismos se movimentam.

12.12.25

O Pinto quando for grande quer ser o Ventura


a. almeida

Miguel Pinheiro, no seu "O Bom, o mau e o vilão" na Rádio Observador, acertou na mouche quanto a classificar o desempenho ridículo e caricato de um Jorge Pinto, candidato do Livre à presidência da República. Na verdade todo o debate mostrou que quando for grande quer ser um André Ventura da esquerda extremista, mesmo sabendo que uma imitação nunca será o original.
Risos e tiradas à forcado, uma postura infantil, mostraram que de facto é pouco mais que um adolescente mimado.
Sabe que não vai passar de 1 ou 2% na votação, mas enquanto há dinheiro no bolso e festa no arraial, há que aproveitar.

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Noutro contexto, duas ou três centenas de manifestantes, que a comunicação social jura terem sido milhares, acampou junto ao lugar do costume, da casa da democracia. E como de costume, alguns com o curso completo do banditismo, quiseram dar nas vistas porque estavam em directo. Ficaram a faltar detenções e seguramente umas valentes bastonadas.

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Quanto à Greve Geral, dizem os sindicalistas partidários que foram 3 milhões. Deve ter sido a olho. Afinal, contar 3 milhões de grevistas é a coisa mais fácil do mundo. Claro que mesmo com o habitual exagero ao quadrado, devem ter metido no mesmo saco os muitos milhares que querendo trabalhar foram impedidos de o fazer, por falta de transportes, portas fechadas ou intimidados pelos piquetes formados por alguns grunhos colocados aos portões de escolas, hospitais e outros pontos onde predomina a casta do funcionalismo público.

Enfim, o teatro habitual. Felizmente, quando chegam as eleições, os números são outros e os partidos que apregoam 3 milhões não recolhem mais que umas escassas dezenas de milhares de votos. Realidades desfazadas.

11.12.25

Alguém tem de trabalhar


a. almeida

Cá estou eu, pegadinho ao trabalho, das 8 às 18. Afinal, alguém tem de trabalhar.

Essa coisa de tirar um dia de férias a proposito de uma greve é para os que têm a sorte de estarem aconchegadinhos, acomodados no  funcionalismo público. Não é para todos.

Queixam-se mas ninguém muda de vida, de emprego, de patrão. Por cá não falta trabalho para pedreiros, trolhas e empregados de limpeza. A Junta de Freguesia está a precisar de cantoneiros. O restaurante do Quim das Iscas anda à procura de empregados de mesa e de quem ajude na cozinha. Sempre ouvi dizer, "quem está mal, muda-se! Mas esta gente não está mal, nem quer mudar. Apenas tirar um dia de férias e impedir os demais de trabalhar.

10.12.25

Paradoxos - Entre o luxo, a fome


a. almeida

Creio que já o escrevi por aqui, mas volto ao assunto. Reparo que na televisão, particularmente nos canais da Star, os blocos de publicidade são um autêntico massacre. Continuo sem perceber por que razão há tanta publicidade em canais que, afinal, são pagos. Quanto a isso, esperam que comamos e calemos. Eu vou comendo, mas não calo. Na próxima renovação do serviço talvez dispense o pacote e me fique apenas pelos canais em sinal aberto. Talvez.

Mas o que me traz verdadeiramente aqui é o paradoxo que se desenrola nesses blocos publicitários. Entre anúncios a relógios de luxo, perfumes e comida premium para gatos, cujo preço ao quilo ultrapassa o do bife e, seguramente, o do frango, perú ou febras de porco, têm o descaramento de nos mostrar apelos da UNICEF para combater a fome em África. Entre gatos brancos, peludos e tratados como realeza, surgem crianças esqueléticas que precisam de cuidados de saúde básicos e, sobretudo, de comida.

Choca-me esta banalidade. Este contraste brutal que a sociedade consumista já parece aceitar sem pestanejar. Dentro das minhas possibilidades, contribuo regularmente para a UNICEF, porque ainda me inspira confiança, mesmo que não me envie recibos das doações. Mas confesso: este paradoxo fere. Pela contradição entre o supérfluo e o essencial. Pela forma quase ofensiva como convivem, no mesmo intervalo, o luxo e a fome.