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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

20.11.25

Usar, abusar e brincar


a. almeida

Certa publicidade, a bem dizer quase toda, é ridícula porque desfazada da realidade. De resto, será esse o objectivo dela, de vender o que não precisamos, de nos levar a comprar o que é dispensável, de vermos virtudes onde tudo é fatela, normal ou defeituoso.

Ainda agora, anda pela rádio uma publicidade do Novo Banco em que uma gerente da Hortículas Casal da Avô liga para o banco a pretender falar com o gerente de conta e a atendendora, solícita, diz que foi ver e que, afinal, o homem até está lá no Casal, disponível, por entre os tomates, alfaces e couves-galegas.

Ridículo! Desde logo experimentem ligar para o Novo Banco e contabilizem o tempo que precisam para chegar à fala com quem quer quer seja, isto depois de percorrerem o costumeiro labirinto automático de opções e mais opções. Das vezes que senti essa necessidade, desisti ao fim de largos minutos, mesmo perante um problema sério, de quebra de segurança no acesso ao Home Banking, que em rigor nunca me foi esclarecido.

Mesmo na própria agência, que aos poucos tem sido mutilada no número de funcionários e horários de atendimento, numa simples operação de depósito em caixa posso ter de esperar 30 minutos e apenas num curto período temporal das 13 às 15 horas. Chegou a ser a qualquer hora, de manhã ou à tarde, mas reduziram, imagine-se a lata desta gente, "para um melhor serviço". Outra qualquer operação e atendimento pessoal tem de se agendar e é coisa para esperar mais de uma hora, e quando acontece, pouca ou nenhuma simpatia, a despachar. 

Enfim, cada vez menos por mais, mesmo que gente sorridente a publicitar o contrário. Quanto mais reduzem o horário, o atendimento pessoal e presencial, quanto mais reduzem no papel, mais sobe a comissão de conta.

Não surpreende por isso, que todos os bancos apresentem grandes lucros, absurdos, em grande parte devido às comissões. Absurdo mas sem controlo porque tudo é à tripa farra, sem rédea curta por parte de quem poderia impor limites aos abusos.

Como se não bastasse, espetam-nos com estas publicidades, como que a gozar com quem trabalha. A descaradeza também deveria pagar comissão ao Estado. Só dos bancos seria uma fortuna diária.

Perante isto, mudar de banco? Para qual, se todos seguem a mesma cartilha e cantam a mesma cantiga?

19.11.25

Quem não gosta de vinho tem maus fígados?


a. almeida

"Há quem confunda ciência com religião, e divulgação científica com catequese. David Marçal, com crónica residente do Público, é um desses casos paradigmáticos — um personagem que, nos últimos anos, foi entronizado por certa comunicação social como uma espécie de sumo-sacerdote da “boa ciência”. Não se sabe bem por que méritos — talvez por ubiquidade mediática, talvez por conveniência ideológica —, mas o estatuto de “voz da razão” que lhe atribuíram sempre me pareceu suspeito. E digo “suspeito” porque a ciência, quando é ciência, é essencialmente dinâmica, provisória e contestável. Aquilo que é dogmático não é ciência: é fé travestida de método."

Artigo de opinião de Pedro Almeida Vieira no "Página Um"

[Fonte e texto integral]

 

17.11.25

Rabiscos - 17112025


a. almeida

rabiscos_17112025.png

Enquanto as centrais sindicais, o braço armado de certos partidos, decidem se será um ou dois dias de greve geral, como se isto fosse um jogo ou uma birra de putos no jardim de infância, e cá para mim a coisa não devia ficar por menos de 3 meses de greve, e assim o país ía para férias, nada como um olhar ao longe, tanto mais num princípio de semana que promete ser de sol.

16.11.25

A sério? Sempre o futebol?


a. almeida

Você percebe que está em Portugal e não no Bangladesh, quando o telejornal do principal canal da televisão pública abre com o assunto de um jogo da bola, em que a selecção nacional, seja lá o que isso signifique, vai defrontar uma equipa tendencialmente de  toscos, uma tal de Arménia. Parece que, dizem , o jogo é decisivo. Não sei para quem é decisivo. Nestas coisas da bola há muito que aprendi dar-lhe a devida e relativa importância: pouca ou nenhuma. Se perder e ficar de fora do mundial, o que é altamente improvável, ninguém vai acordar com as ruas e casas inundadas, árvores caídas, derrocadas, automóveis destruídos ou as urgências médicas fechadas.

Assuntos importantes e sérios neste país é secundário.  Sempre o futebol!

14.11.25

Sempre a somar


a. almeida

Por coisas cá minhas, fiquei satisfeito com a vitória da Irlanda sobre Portugal. Num instante vi-me num pub irlandês, de Guiness na mão, a torcer pelos rapazes de verde.

Num grupo de "favas contadas", a sobranceria nunca foi boa conselheira. E se a senti em diferentes tempos na selecção, também muito na comunicação social. Ainda ontem falava-se que o jogo poderia servir para Ronaldo elevar-se mais um pouco no seu estatuto, no que poderia contribuir para conseguir o golo mil, quiçá mudar de ideias e ainda ter como objectivo participar nos próximos três mundiais. Todavia, o máximo que conseguiu no jogo foi uma expulsão por agressão maldosa, que dizem ter sido a primeira ao serviço da selecção. Sempre a somar recordes.

Apesar de tudo, será preciso que a selecção vá a jogo com 5 coxos e 6 cegos para que  não carimbe a vitória e o apuramento no próximo jogo, mesmo que, cuidado, com a potência futebolística que é a Arménia.

Isto de gozar com quem trabalha...