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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

30.09.25

Ainda se acredita no milagre da multiplicação


a. almeida

Os assistentes de Inteligência Artificial fazem-nos ser preguiçosos. Não mais inteligentes, porque quem é burro continuará a ser burro (salvo seja para os próprios), mas, sim, mais dados a fazer coisas sem cuidados, pesquisas, verificações das fontes etc. Mas, admitindo que os dados seguintes estão certos, quando está na ordem do dia a falta de habitações, o aumento das mesmas e das rendas, bem como a insuficiência de serviços de saúde, ou, melhor dizendo, dos profissionais que os servem, importa não esquecer o impacto do aumento quase exponencial dos imigrantes.

Nos últimos anos, o número de imigrantes em Portugal aumentou drasticamente, duplicando em três anos e quase quadruplicando desde 2017, com a população estrangeira a ultrapassar 1,5 milhões no final de 2024, segundo dados da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA). Em 2017, havia cerca de 421 mil estrangeiros regularizados, e esse número passou para aproximadamente 1,55 milhões em 2024.

Evolução do número de imigrantes:
Em 2017: Havia cerca de 421 mil estrangeiros legalizados em Portugal.
Em 2023/2024: O número de imigrantes ultrapassou os 1,5 milhões, chegando perto dos 1,6 milhões no final do ano passado.
Duplicação em três anos: O número de estrangeiros mais do que duplicou nos últimos três anos.
Quase quadruplicou desde 2017: Comparado com 2017, o número de imigrantes quase quadruplicou.
Fontes:Dados da Agência para a Integração, Imigrações e Asilo (AIMA) confirmam este aumento significativo. Relatórios da AIMA e Público também evidenciam o crescimento.

Em resumo, estavam à espera de quê? Do milagre da multiplicção. Decorre daqui o problema de uma imigração descontrolada e sem regras, porque, precisamente, contribui para a incapacidade de resposta das necessidades inerentes. Por conseguinte, a imigração é precisa mas de forma regulamentada, controlada e não só em função das necessidades do mercado de trabalho mas também de forma a que os serviços sociais, de educação, saúde e habitação, possam corresponder e dar respostas.

Quando assim não acontece, como se passa em Portugal, não surpreendem as consequências e não há nenhum Governo que possa acudir, no imediato, a esta carência. Se sim, só com milagres para quem neles acreditar. Por regra, as oposições são férteis em descortinar milagres, sobretudo o da multiplicação. Uma vez nos governos, dão-se conta dessa incapacidade, e de deuses e santos, passam a falíveis seres terrenos.

29.09.25

Lá se foi a Dina - Fica o enchimento de chouriços e entretenimento de reformados


a. almeida

Bem sei que a idade não se compadece com o profissionalismo e por isso a conhecida Dina Aguiar, de 72 anos de idade, e 47 de carreira, deixa a RTP e o seu lugar de pivô no excelente programa "Portugal em Directo". De resto este vai mudar de nome, esperando eu que não signifique desvios da linha editorial e objectivos.

Bem sei que contou a idade e uma certa justificação de "renovação". Dizem que também o ordenado, o que não deixa de ser ridículo face ao que por ali se gasta com menos substância. Pergunto eu quanto não paga a estação dita pública naqueles cozinhados diários, a chefes, a canários, a malhoas, a zés amaros e companhia, quase por ali residentes, no que dizem ser a praça da alegria?

Podia aproveitar a RTP o balanço da foice e terminar com os monos e programas de encher chouriços como "O Preço Certo" e o "Praça da Alegria", e outros mais do género. Bem sei que têm audiências, sobretudo o concurso onde se dá prémios mesmo sem qualquer mérito de acertar nos desafios (-Está errado ou está errado?), mas para um serviço público e para o qual também pago na justa medida, não pode valer tudo. Não está em causa a qualidade do Fernando Mendes para o lugar, mas é de facto tempo a mais para um programa e que já nada acrescenta, para além de um entretenimento oco. Um serviço de televisão pública tem de ser bem mais que isso. Para isso, existem as outras estações.

Temos assim programas e figuras que se perpetuam, intocáveis. A inovação e renovação são, assim, eufemismos que em rigor nada significam. É o que temos e mais valia entulhar esse poço de despesismo público.

Em todo o caso, a minha opinião vale zero. Só me dou ao trabalho destes reparos por ser contribuinte da coisa. Não fora isso e a preocupação também seria zero, bola. 

Dina, até amanhã, se Deus quiser! Deus até quereria, mas não te quiseram o Vitor Gonçalves e companhia. Temos pena, é a vida!

25.09.25

Onde pára a flotilha?


a. almeida

A flotilha activista, humanitária, turística, mediática e afins, já aportou em Gaza? 

Com preguiça, perguntei a um assistente de IA qual a distância marítima entre Barcelona e Gaza e que tempo demora a viagem utilizando um barco médio. Do que respondeu, com as diferentes variáveis, presume-se que a viagem demoraria 3 a 4 dias. Que fossem 7 ou 8.

Neste andar, vai demorar tanto tempo como o Vasco da Gama na viagem marítima para a Índia no séc. XV. De resto, era previsível. Quanto mais tempo, mais dura a coisa, o suspense, como nos antigos folhetins radiofónicos e nas modernas novelas. É disto que se trata, uma novela! 

 

1. Distância aproximada

A rota mais curta entre Barcelona (Espanha) e Gaza (Faixa de Gaza) pelo Mediterrâneo, em linha reta (rota ortodrômica), é de cerca de 3.000 a 3.200 km (≈ 1.600–1.700 milhas náuticas).

2. Velocidade de um barco médio

Isso depende do tipo de embarcação:

Veleiro de cruzeiro: 5 a 7 nós (9–13 km/h).

Iate a motor médio: 15 a 20 nós (28–37 km/h).

Navio de carga/ferry: 18 a 22 nós (33–41 km/h).

3. Tempo estimado de viagem

Veleiro (6 nós) → ~270 horas = 11 dias (navegando direto, sem paradas).

Iate a motor (18 nós) → ~90 horas = 3,5 a 4 dias.

Navio de carga (20 nós) → ~80 horas = 3 a 3,5 dias.

22.09.25

A Idade Média com boa média


a. almeida

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O fenómeno, moda ou mania dos eventos recreativos relacionados à temática da Idade Média, por isso ditos Medievais, neste nosso pequeno torrão à beira mar plantado, só neste ano de 2025, não me enganado, contabilizei 170 eventos, de acordo com um site dedicado ao assunto. Por 2024 foi similar.
Desde recriações, torneios, festas, mercados, feiras e viagens e afins, com duração de apenas de um dia, um fim de semana ou quase meio mês, como em Santa Maria da Feira com a sua interminável Viagem Medieval - e lá virá o tempo em que se dedicará à coisa um mês inteirinho - convenhamos que é uma fartura.

Pergunta-se, até quando rebentará ou encolherá a bolha? Talvez um dia aconteça, mas creio que, pelo andar da carruagem, por muito tempo a tendência até será para crescer e chegará a um situação em que cada terrinha, mesmo que sem torre, castelo ou pelourinho, terá o seu evento, já como acontece com provas de corridas.
A juntar a este fartote, temos as festas e romarias de aldeia, municipais e regionais, que são várias centenas, mesmo milhares, mais umas largas dezenas de festivais de música, etc. Não digam que Portugal não é um país de farras, de comes-e-bebes. Visto assim, pelos números, parece um parque de diversões permanente.

Atrasados em muitos indicadores, políticos, económicos, sociais e culturais, neste, seguramente, devemos ser líderes globais per-capita. Ainda bem? Sei lá. O que é de mais é moléstia, diz o povo, mas vá lá saber-se se isto é demais ou ainda de menos? Não tenho resposta mesmo que considere um exagero.

18.09.25

Sentimentos defuntos


a. almeida

Escritor que leio e de quem gosto, J. Rentes de Carvalho — infelizmente já a caminho dos 100. E digo “infelizmente” pela pena e pela impossibilidade do que ainda poderia ser escrito, caso, por uma força cósmica, conseguisse viver, lúcido e inspirado, mais outro cento de anos. Essa pena fica-me agravada quando penso em todos os génios que partiram precocemente — Mozart, Carlos Paião, tantos mais. O que não comporiam e cantariam se chegassem à bonita idade do português mais holandês de Portugal!

Do muito que escreveu e do que tem deixado como reflexão, recordo a recomendação: quanto a livros, “... dedicatórias impressas na primeira página? Nunca. Os amores morrem, as amizades perdem-se, chega sempre o tempo em que é doloroso o confronto com as palavras que exprimem sentimentos defuntos.”

Dá que pensar, e é verdade. Mas, se isso é válido para os livros, quanto mais para a espuma das redes sociais, onde hoje há juras públicas de amor eterno, namorados e casais enlaçados como numa eterna lua de mel, como se fossem unha e carne — exemplos de tudo quanto é fofura cor-de-rosa — e, num repelão, ao primeiro sopro, o castelo de cartas rui, sem fundação que lhe valha ou que deixe algumas pedras de pé.

Será, pois, de evitar essa excessiva exposição na praça pública, de casos e intimidades que, na maior parte dos casos, não deviam passar da porta do quarto nem do portão da rua.

Evitemos, novos e velhos, pormo-nos a jeito para o que, a curto prazo, poderão ser “expressões de sentimentos defuntos”.

16.09.25

Genocídio! E daí?


a. almeida

Da imprensa: - "Investigação encomendada pela ONU conclui pela primeira vez que Israel cometeu genocídio em Gaza".

Sem ser especialista, do que vou vendo e lendo, também concordo. Mas, como tudo o que sai da ONU, que consequências? Nenhumas, porque a ONU não passa de um pingarelho sem qualquer eficácia prática nas suas resoluções, sendo dominado pelos humores e interesses de meia dúzia de países e potências.

Não obstante, mesmo que já sem qualquer justificação racional e minimamente compreensível, os assassinos do Hamas continuam a ajudar no pretexto para toda a imoralidade, mantendo em seu poder os reféns ou o que resta deles.

15.09.25

Romaria de Santa Eufêmia em terras de Castelo de Paiva


a. almeida

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Hoje, dia 15 de Setembro, fui comprir uma tradição pessoal já com muitos anos. Fui à romaria de Santa Eufêmia que se realiza anualmente nos dias 14, 15 (dia grande) e 16 de Setembro, na freguesia de S. Pedro do Paraíso, concelho de Castelo de Paiva. Porque muita gente aproveitou o Sábado e o Domingo, hoje verificou-se menos romeiros do que é habitual, quando a meio da semana. Mesmo assim, muita gente, capela repleta para a missa e as barracas dos bifes apinhadas, como sempre.

Porque intemporal, reescrevo, com ligeiras actualizações, o que já escrevi num outro blog.
Esta santa, tem muita tradição em Portugal e a ela, sensivelmente por esta data, são dedicadas festas e romarias em algumas das nossas aldeias.
Por cá, das grandes romarias da nossa região e arredores, nomeadamente a Senhora da Saúde, em Carvalhos-Pedroso-Vila Nova de Gaia, S. João no Porto, Senhor da Pedra, em Gulpilhares - Vila Nova de Gaia, a Senhora da Saúde, em Gestoso -Vale de Cambra, S. Cosme, em Gondomar, S. Simão, em Urrô - Penafiel, S. Domingos da Queimada, Raiva - Castelo de Paiva, Senhora das Amoras, em Oliveira do Arda, Castelo de Paiva, Festa das Colheitas, em Arouca (pelo final de Setembro) e Festa das Fogaceiras, em Santa Maria da Feira (a 20 de Janeiro) e outras mais, pessoalmente considero que a romaria de Santa Eufêmia, na freguesia do Paraíso, em Castelo de Paiva, será aquela que ainda conserva as características quase genuínas, herdadas e transmitidas de há muitas décadas, relatadas pelos nossos avós e bisavós. A contribuir para isso, o facto de se situar numa região relativamente interior, ainda muito caracterizada pela agricultura e também pela localização do arraial, que, ao contrário do que é normal, não está no alto de um monte (como S. Domingos da Queimada) mas sim num baixio encravado entre duas vertentes da serra e desenvolve-se em vários sucalcos ladeados de ruas estreitas. Os acessos no recinto são estreitos.
Por conseguinte, a parnefália de enormes e ruidosos divertimentos, roulottes de vendas e grandes tendas comerciais, desde africanos a chineses, ciganos e marroquinos, que fazem parte da mobília das festas e romarias actuais, ali não têm lugar nem espaço, apenas nas imediações, e os vendedores tradicionais ocupam os lugares desde há várias décadas. Raramente, pode existir uma pequena pista de carrinhos, quase sempre parada, e uma ou outra tenda de ciganos a vender roupas, mas no essencial todo o restante negócio está revestido das tais características tradicionais, assumindo plano de destaque a venda de doces, onde a primazia e a excelência recaíam nos afamados doces de Serradelo, de fabrico familiar numa vizinha aldeia, próxima do Monte de S. Domingos da Queimada, mas há alguns anos com actividade encerrada por desinteresse de continuidade por parte dos herdeiros. Restam os doces de Entre-Os-Rios, Sardoura e Pedorido, tudo aldeias ribeirinhas do rio Douro. Também marcam presença as tendas de cestaria, frutas, com destaque para uvas e melão de “pele-de-sapo”, castanhas, das grandes, enchidos, presunto e fumeiro, artesanato e brinquedos. Também ali já é possível beber o primeiro “vinho-doce” e comer as primeiras castanhas assadas

Apesar de tudo, a tradição e a fama da romaria de Santa Eufêmia assenta na devoção à santa, com pagamento de promessas, na actuação de duas bandas de música (neste ano as bandas dos Mineiros do Pejão - Castelo de Paiva e a Marcial do Vale, de Santa Maria da Feira), e também nas afamadas barracas de comes-e-bebes, onde o enorme bife de carne de vitela da raça arouquesa é rei, mas também a vitela estufada, dobrada ou feijoada. Normalmente são seis ou sete grandes barracas e quase sempre a abarrotar de gente esfaimada. Tanto na véspera como no dia, são milhares os forasteiros que chegam do concelho, Castelo de Paiva, mas também dos municípios vizinhos como Arouca, Santa Maria da Feira, Gondomar, Penafiel e não só.

Noutros tempos, recordo-me de nas imediações do proprio arraial se efectuar a matança de gado e mesmo ali, crucificadas num pinheiro, as rezes eram esquartejadas e cortadas em grandes bifes que depois eram fritos e acompanhados com batata e cebolada bem frita. Hoje em dia já não se mata ali o gado mas mata-se a mesma fome e a qualidade da carne é a de sempre, bem como os modos de a preparar e servir. Impressiona, de facto, ver todo o movimento (durante o dia e pela noite fora) à volta das barracas improvisadas e numa luta com os enormes bifes bem regados com o grosso vinho verde da região de Paiva. Os clientes não conhecem idades nem classes sociais e misturam-se na mesma fartura os senhores doutores e engenheiros, vindos das cidades e vilas próximas (já por lá vi governadores civis, presidentes de câmaras e vereadores) com os operários e lavradores. Perante aquele quadro de abundância, seria difícil fazer alguém acreditar que, seja em que ano for, estamos numa época de crise e falta de esperança no futuro.

Vê-se também muita gente e casais de idosos, que cumprem religiosamente votos, promessas e hábitos de décadas e para eles a Santa Eufêmia é um dia tão grande e alegre como um Natal ou Páscoa. Na freguesia é ponto de reunião de famílias que improvisam mesas onde os bifes serão a premissa da amizade fraternal. Os romeiros pagam as promessas, acendem velas e participam na missa e na procissão. Pelos músicos dos Mineiros do Pejão, destacou-se uma peçada de música e os ouvintes ficam com olhos enublados pelas emoções e sons da “1812” de Tchaikovsky, que não compreendem mas sentem. De seguida, já com a alma e o coração lavados, estendem uma ampla toalha no chão, à sombra de um carvalho, oliveira ou plátano, e espalham o farto farnel caseiro, com a panela do arroz envolto em jornais passados, ainda a fumegar de quente e bom, este sim, de comer e chorar por mais. Na véspera são muitos os peregrinos que em ritmo de fé sobem as encostas do Douro e do Arda e chegam a pé, ainda por devoção e promessas, percorrendo várias dezenas de quilómetros, vindos de aldeias vizinhas ou bem mais afastadas.

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