Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

29.08.25

Murça - Por terras da porca


a. almeida

540446885_4057273707873506_1553769038631273810_n.j

Por estes dias, com a temperatura bem mais agradável, um passeio por Trás-os-Montes, por esse reino maravilhoso cantado por Torga.

A meio da manhã, uma paragem em Murça. Facilmente encontramos online informações sobre esta pequena vila, sede de um município com pouco mais que 5 mil habitantes. Fácil, também, o acesso a partir do litoral, pela A4, e localizada muito perto da mesma, mais ou menos a meio caminho entre Vila Real e Mirandela.

Como pontos de interesse, o centro da vila, onde se destaca a popular "porca", que outros até dizem ser uma ursa. A igreja matriz, de invocação de Santa Maria Maior, o pelourinho, na Praça 5 de Outubro, o edifício da Câmara e pouco mais, mas mesmo assim um conjunto interessante e harmonioso. Já por ali tinha estado há cerca de 13 anos e a porca continua a mesma. Para abastecer de coisas boas, vale a pena entrar na loja das Caves de Murça, onde não falta boa pinga, azeite e outros produtos desta bonita região. Vim abastecido para o Natal.

Também merece uma visita a bonita ponte romana sobre o rio Tinhela e o troço de calçada também romana que lhe dá acesso, a que se acede a partir da Estrada Nacional 15. Com mais tempo, é interessante o percurso pedestre  que ladeia a margem do bonito e límpido curso de água, afluente do rio Tua. Não obstante, como o português comum gosta de ir de carro até à porta das coisas a ver, este belo recanto e património antigo, passa ao lado da maioria de quem, de fora, ali decide parar, porque para lá chegar é preciso caminhar um bom pedaço, ida e volta, percorrendo a milenar calçada.

Por estes dias procurarei partilhar outras impressões, outros olhares, de outros sítios visitados nesta saída por fora cá dentro. Bem sei que não é a mesma coisa que falar de Punta Cana, de outras puntas ou outras canas, mas é o que se pode arranjar.

539602735_4057273211206889_800329001132754034_n.jp

539753770_4057273437873533_264658328750470556_n.jp

539983578_4057274041206806_5723492040256778924_n.j

540204387_4057274827873394_333419866464970687_n.jp

540626111_4057274501206760_1533293279093507040_n.j

540626907_4057274287873448_1294511490428241649_n.j

539262046_4057275531206657_2200282463493055706_n.j

539890784_4057277381206472_2040931313356576809_n.j

540325602_4057277107873166_537802763216253204_n.jp

540503769_4057276611206549_8662398203979118650_n.j

540709913_4057277677873109_5725028794093445863_n.j

540963620_4057275921206618_1490801766264955826_n.j

DSCN9428.JPG

26.08.25

Cruzeiro de Verão


a. almeida

A Mariana Mortágua já poucos representa. Está só no Parlamento. Apesar disso, a nossa comunicação social continua a dar-lhe espaço, relevo e importância como se fosse a líder de um grupo parlamentar de vinte ou mais deputados. Coisas, singularidades e idiossincrasias da nossa CS.

Neste contexto de importância, sabe-se  que a bloquista vai participar num cruzeiro rumo a Gaza. O propósito pinta-se de humanitário, mas não passa de um teatro mediático tão ao jeito dos participantes. Todos sabemos que o mais certo é não chegar a bom porto, mas isso é o que menos importa aos turistas desde que seja mediático. Por cá, será concerteza, porque a nossa CS tem tempo e espaço de sobra para estas figuras. 

Lado negativo do cruzeiro: Já vai tarde!

Lado positivo do cruzeiro: Pode ser que fique por lá.

Mais a sério, com ironia ou humor de lado, estas acções valem muito pouco, mas valem na justa medida da importância que a CS lhes dá. Um qualquer Big Brother vale absolutamente zero, mas nem por isso deixa de ter tempo de antena e seguidores entusiastas.

25.08.25

Terroristas, sim


a. almeida

Ventura tem-no dito e quer equiparar os incendiários a terroristas. Concerteza que há nisso muito populismo e oportunismo, tão próprio da nossa classe política, da esquerda à direita. Não obstante, quem, em rigor, pode estar contra isso? De resto, que classificação pode ter alguém que, deliberadamente, põe vidas em risco e mata em consequência, destrói património, fauna, flora e toda a biodiversidade, para além de obrigar o país a gastar recursos que não tem?

Terrorismo, sim, com todas as letras, pelo que importa tomar medidas e agir em consonância. Não é pedir muito. Com paninhos quentes e medidinhas engraçadinhas mas impraticáveis, já está mais que provado que não resolve nem reduz o risco e as consequências, ano após ano.

Podemos não querer dizer chega, mas pelo menos, basta! Para grandes males grandes remédios.

 

24.08.25

Na glorificação da selvajaria


a. almeida

Li algures que morreu um forcado em contexto de tourada, colhido durante uma pega, bem como uma pessoa que assistia depois de se sentir mal com  a cena. Lamento, concerteza que sim, ambas as mortes, mas não mais do que isso. Quem vai à guerra dá e leva e quem ainda insiste e persiste em participar activa ou passivamente nestes espectáculos deploráveis, onde se glorifica a selvajaria gratuita sobre um animal nobre, não pode esperar grandes consternações.

Apesar de tudo, continua esta imoralidade e não falta quem se deleite a assitir ao sofrimento animal. Triste de mais.

 

20.08.25

Ó da Guarda!


a. almeida

c1.jpg

c2.jpg

c3.jpg

c4.jpg

c5.jpg

Em recente saída de férias por este Portugal profundo e interior, com a pontaria de passar pelos locais mais afectados pelos incêndios, nomeadamente nas zonas de Sabugal e Fundão, pelo que sempre sem ver o azul do céu e a respirar um nevoeiro de fumo, fiz eu, e quem me acompanhava, uma paragem e visita, entre muitas, na sempre deslumbrante e granítica Sé da Guarda.

Custa comprender, porém, certas opções de quem tem responsabilidade e gere alguns dos nossos espaços e património históricos. Mesmo percebendo que a limpeza e conservação custam dinheiro, é difícil de compreender que para se entrar na Sé da Guarda seja preciso cobrar um bilhete e com um adicional se para aceder ao terraço. Disse, testando, que apenas pretendia rezar e, talvez por algum decoro, autorizaram, mas sem ordem para fotografar. Para isso, apenas pagando. Ok!

Já no interior do templo, duas máquinas para aviar medalhas personalizadas alusivas ao local. Daqui a nada terá ali uma máquina de aviar finos e sandes de bifanas. Fiquei a pensar que se Jesus cá voltasse teria de ali usar o chicote de cordas e acabar com aqueles "vendilhões no templo".

Também em Belmonte, com 40 graus de temperatura, na pequena capela de S. Tiago, novamente a bilheteira à porta. Que para se rezar poderia ser em qualquer sítio, respondeu a zelosa cobradora. Por sua vez, o castelo, mesmo que num Domingo e em dia de Feira Medieval, fechado, ou pelo menos com impedimento de acesso e visita porque em preparação um espectáculo musical que iria acontecer à noite, com acesso pago. Creio que informaram que iriam actuar os The Gift.

E vai alguém, em tempo de férias, do Algarve ou do Minho a Belmonte, ou vindo da menos distante Espanha, e fica impedido de visitar o castelo, porque sim. Para mim o prejuízo foi zero, porque já tinha visitado há uns dez anos atrás, mas fiquei aborrecido pelos casais amigos que me acompanhavem. Bonita e esquisita forma de promover a visita do nosso interior e dos seus monumentos históricos.

Tempos estranhos estes, em que já não conseguimos aceder a um espaço tão emblemático como a Sé da Guarda sem ter de pagar ou aceder ao interior escalvado de um castelo em terra de Pedro Álvares Cabral. Já nada é como dantes!

d1.jpg

13.08.25

Oh, quem me dera


a. almeida

flores pessegueiro.jpg

Nestes dias em que o fogo vocifera,
Num manto denso de chamas vorazes,
A tragar o verde, a vomitar carvão,
Oh, quem me dera, sim, quem me dera
Que minhas lágrimas fossem capazes
De extinguir a braseira deste Verão.

Cansado, dolente, já desejo a frescura
De um Maio de fragrâncias adocicadas,
De brisas frescas que a manhã nos traz,
Ou de um Outono doce de fruta madura,
A prometer neblinas, manhãs de geadas,
Um aconchego morno que só tu me dás.

Oh, quem me dera, sim, quem me dera!

Pág. 1/2