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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

31.07.25

Agora que a tempestade passou


a. almeida

cabelo flores.jpg

De nada vale viver entre feridas
Profundas, cruéis, dolorosas,
Quando apenas o amor interessa
Se vivido em abraço pleno.
Porquê, então, desperdiçar vidas
Em labutas desesperançosas,
Em constante e cansada pressa,
A transformar o grande em pequeno?

Agora que a tempestade passou,
O vento não é mais que brisa
A fazer dançar o teu cabelo
Todo entrançado em flores.
Agora que já descobri o que sou
A minh´alma mais nada precisa
Do que amar-te com desvelo
E seguir-te p´ra onde fores.

30.07.25

Imprensa de palha


a. almeida

jornalismo de palha.jpg

Nos meus tempos de criança, enchia-se um colchão com palha. À falta de outras coisas fofas, com substância, era a solução. Hoje em dia, também há palha, e muita, nomeadamente na nossa televisão, no nosso jornalismo, na nossa imprensa. Jornais para serem lidos na retrete, que não se coíbem de enfeitar o espaço nobre de um título com uma minudência social, como que um aperitivo a aguçar o "apetite" por mais palha, que virá numa página interior.

A burros dá-se palha, mas, pelos vistos, também aos leitores.

28.07.25

A morte sobre duas rodas


a. almeida

Infelizmente, tornaram-se vulgares os acidentes mortais envolvendo motas e os ditos motards. As notícias fatídicas, de gente que morre ao perto e ao longe, são mais que muitas — e deviam preocupar a todos.
Certo é que, havendo condutores responsáveis e cumpridores das elementares regras de segurança, são imensamente mais os que, diariamente e sobretudo ao fim-de-semana, arriscam e abusam para além da legalidade. Não só se expondo a si próprios ao perigo e ao acidente, mas também a terceiros.Os exemplos de desrespeito são inúmeros, e já poucos haverá que nunca tenham assistido a velocidades furiosas, ultrapassagens entre filas de carros, transposição de linhas contínuas, etc., etc.


Infelizmente, pela sua natureza, os impactos e despistes resultam quase sempre em ferimentos graves e mesmo fatais, como ainda ontem, por aqui, num brutal acidente que levou mais uma vida jovem e e onde o excesso de velocidade deixou um rasto de destruição. Em pouco mais de um mês, foram dois acidentes mortais nesta freguesia, ambos motards jovens.

É pena, porque vemos partir gente nova, bons filhos, bons pais, maridos e esposas — alguns deles nossos conhecidos.
É uma tragédia, mas para além da fatalidade, confesso que já não surpreendem, tal é o desrespeito generalizado.
Qualquer acidente tem circunstâncias próprias, motivos e consequências, e nem sempre os motociclistas têm a responsabilidade directa. Claro que não! Mas, num sentido geral, não restam dúvidas de que há excesso de velocidade e desrespeito pelas regras de trânsito e pelos limites estabelecidos.

Pessoalmente já fui ultrapassado pela direita e já vi das mais inusitadas transgressões e abusos como numa espécie de acidente anunciado.
Não vejo as autoridades a fazerem muito para pôr cobro a este desfilar de acidentes e mortes.

Assim vamos andando, sempre com o coração nas mãos, com receio de que a roleta russa calhe a gente mais próxima e até aos nossos.
Por agora, nada mais a fazer senão lamentar estas mortes que também nos tocam de perto. E que, pelo menos, de cada tragédia sobre um pouco mais de consciência por parte de quem é utilizador e apaixonado pelas motas.

24.07.25

Imprensa de retrete


a. almeida

pipoca.jpg

Quando um jornal de referência nacional, como o Jornal de Notícias, dispensa quase uma página inteira, a cores, a uma figura das revistas cor-de-rosa, informando os leitores que tal notabilidade se encontra de férias na quentura das águas do Mediterrâneo, diz muito da qualidade do título em particular e da imprensa no geral.

Uma de tal Ana Garcia, que dizem ser uma pipoca mais doce, apreciada por uma multidão de "maria vai com as outras", deve ser assim uma espécie de figura indispensável na nossa sociedade a ponto de não poder passar em claro a "novidade" jornalística de que se encontra em Formentera, a gozar as delícias do Verão.

Que dispense o JN essa reverência e referência na versão digital, vá que não vá, mas a ocupar uma preciosa página de papel, é demasiada vulgaridade e um desperdício face a tanta coisa mais sumarenta para noticiar.

Em todo o caso, consuma quem quiser. Falo por mim, que nem gosto de pipocas, sejam elas doces ou salgadas. Noutros tempos, tal publicação sempre daria jeito na retrete. Mas hoje em dia, com papel higiénico aveludado, com ou sem folha dupla, às cores e às bolinhas, e com perfume a rosas ou a lavanda, nem para isso se encontra proveito.

Tempos moderno, estes, com uma imprensa de retrete.

23.07.25

Corrigir as coordenadas do alvo


a. almeida

Para os que se abespinham agora com a falta de habitação na Grande Lisboa e outras áreas urbanas densas, e que se indignam com a reposição da lei, como no caso da demolição de barracas em Loures, deviam apontar os mísseis da revolta contra aqueles que, com poder de decisão, em muito contribuiram para esta situação caótica, com remessas de emigrantes a darem à Costa, sem garantia de trabalho e habitação, nomeadamente o Sr. António Costa. Este, porém, talvez antevendo a onda de choque, criou as condições no timing certo, antes que fosse tarde, para se pôr ao fresco.

Importa, pois, corrigir as coordenadas do alvo.

Para os que têm memória curta do escancarar de portas, podem sempre dar um saltinho ao passado, afinal apenas há meia dúzia de anos, aqui.

Uma das preciosidades desses tempos: " O líder socialista defende o fim do regime de quotas do emprego de imigrantes, que limitava as entrada de acordo com as necessidades do mercado de trabalho. Costa quer mais imigrantes e não perdoa o passado da direita nesta matéria".

Será preciso fazer um desenho?

22.07.25

O Leão lançado às hienas


a. almeida

Sobre um dos assuntos da ordem do dia, a demolição de "casas de primeira habitação" no concelho de Loures, pelo que vou lendo, vendo e ouvindo, o autarca mor do município por onde passa o Trancão, está a desbaratar a oportunidade de dotar a Grande Lisboa com aquelas tão típicas favelas brasileiras, como a Rocinha, a Vidigal, a Alemão e outras.O que não se vai perder em retorno económico...

Só tinha de dar ouvidos à extrema esquerda e aos defensores da imigração às toneladas, e até incentivar a coisa, fornecendo chapas, barrotes e pregos, alguns tijolos e esferovite. Também tinta para colorir a coisa para parecer o arco-íris. Eventualmente fornecer o serviço de uma Bobcat para abrir a vala na rua central para escorrerem os esgotos. Em pouco tempo ficava resolvido o problema de habitação.

A comunicação social canhota poderia contribuir em tão significativo empreendimento, fazendo reportagens com considerações eufemísticas sobre o sucesso de edificação de bairros sociais, onde não se pagam rendas, nem água nem electricidade, como deve ser no paraíso. Estou certo que seria um sucesso.

Mas, como quase sempre a realidade ultrapassa a ficção, lá veio o Ricardo Coração de Leão a estragar estes planos urbanísticos, sob o pretexto comezinho de apenas estar a cumprir essa coisa chamada de lei.

Isto está mesmo a ficar sem emenda e não conseguimos fugir da velha máxima de pagar por ter cão e por não o ter. Fazem falta políticos com eles no sítio, mas, sozinho, o Ricardo estará sempre condenado pela Esquerda e Comunicação Social a ser lançado às feras, leões incluídos, mas sobretudo a hienas.

21.07.25

Em casamentos e baptizados, pagam os convidados


a. almeida

Creio que já publiquei por aqui algo mordaz sobre o folclore à volta dos modernos casamentos, mais precisamente no que diz respeito à festa, mas, porque voltei a ser atingido, volto ao tema.
 
São cada vez mais raros os casamentos, nomeadamente pela Igreja. A minha aldeia, de pouco mais que um milhar e meio de criaturas, não foge à regra.
Pelos bons e velhos costumes e critérios de alguma coerência, ou mesmo decência, uma boa parte deles já nem se fariam, mas os tempos são de modernidade e importa muita tolerência e inclusividade.
 
Pessoalmente considero que, mesmo os de família, para além dos momentos mais significativos, como o da cermónia religiosa, que valorizo e ainda me emociona, no geral, é um folclore e um exercício de paciência, sobretudo para os os que, como eu, são do tempo em que a boda começava logo a seguir à cerimónia, e no restaurante, em mesas corridas, começava-se e acabava-se de comer, de seguida e sem levantar. Os aperitivos estavam defronte dos lugares, vinha um prato de peixe (salada russa ou bacalhau à Zé do Pipo), depois, sem corta-sabores, um prato de carne (cozido à portuguesa ou assado misto, com vitela ou lombo ou vitela e cabrito). Depois a fruta e alguns doces, incluindo o bolo da noiva. Pelas 17 ou 18 horas ja se estava em casa com os pés de molho.
De jogos e brincadeiras, quando muito, o leilão da gravata do noivo ou o bater dos talheres nas bordas dos pratos para o beijo do casal e padrinhos, mas já era um abuso em que nem todos alinhavam.
Música e bailaricos, eventualmente nos salões dos casamentos de senhores doutores e engenheiros, porque, no geral, não havia espaço na sala.
 
Hoje em dia a coisa pia fino, tanto para ricos como para pobres ou remediados, porque pagam os convidados: Um almoço acaba em jantar e o jantar em ceia. O dia começa de manhã cedo e acaba na madrugada alta do seguinte. Nos dias próximos, como efeitos da ressaca, ainda ecoarão aquelas músicas de partir telha.
 
Os convidados, e até mesmo o jovem casal, andam a toque de caixa da larga equipa de fotógrafos, dos animadores e mestres de cerimónias. Agora assim, agora assado, agora venham para aqui, depois para ali e mais tarde para acolá. Há brincadeiras idiotas e passatempos palermas onde alinham solteiros e solteiras e alguns mal casados.
 
As madames, das mais novas às maduras, vestem-se (ou despem-se) e tudo é glamoroso, chique.
 
Para os recém casados, gente nossa, muita saúde, harmonia, bem estar e muitos filhos, pois a freguesia e o país precisam. Além do mais, são gente boa, humilde, sem peneiras!

Que este dia,  significativo para o casal, mas uma seca de todo o tamanho no que diz respeito à parte festiva, pelo menos para mim, que dispensava de bom grado, seja para eles inesquecível e que a felicidade os acompanhe, e mesmo nos momentos menos bons, que os há inevitavelmente, que tenham em conta o compromisso agora assumido. 
 
Mesmo sabendo que todos estes filmes muitas vezes descambam em divórcios precoces, mesmo que sem qualquer pingo de vergonha pelos papéis desempenhados perante a Igreja, o padre e uma ou duas centenas de convidados, familiares e amigos, transmito parabéns e fica-se à espera das Bodas de Prata.

Se houver próximos casórios, oxalá que sim, sou capaz, a não ser por força maior, de me ficar apenas pela cerimónia na igreja ou na capela, se a houver. O resto, dispensa-se, mesmo que não o carinho e desejos de felicidade para quem casa de forma séria e responsável e não apenas porque é coisa bonita para a fotografia e vídeo.

Mas, relevem, porque, na certa, é apenas um problema meu. Efeitos da idade e avesso a entrar em rebanhos e a andar a toque de caixa.

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