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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

21.03.25

Cola dos ratos


a. almeida

E pronto! O ilustríssimo Dr. Fernando Gomes, depois de esgotada a comissão na choruda Federação Portuguesa da Bola lá arranjou mais uma poltrona no Comité Olímpico de Portugal.

Esta gente apega-se às mordomias e depois não quer outra vida. Parece que tem cola de matar ratos nas solas. Depois o que seguirá? A Federação Portuguesa de Matraquilhos ou a Federação Portuguesa do Jogo do Cantinho? 

É uma pena, pois por aqui a nossa Associação do Centro Social está sem corpos directivos e assim apenas com uma Comissão Administrativa, como recurso, e por mais que se marquem eleições não há fernandos gomes que queiram o cargo. Porque será?

19.03.25

Dizem que hoje é dia do pai


a. almeida

Dizem que hoje é o Dia do Pai. Confesso que, como filho e como pai, nunca liguei patavina à data, sobretudo por considerá-la um pretexto oco para um conjunto de eufemismos e banalidades que pouco ou nada reflectem o verdadeiro sentido, o papel e a importância de um pai e da paternidade.

De resto, o que não faltam por aí são pais – e, hoje, cada vez mais –, fruto de meros acidentes, consequências de relações fortuitas, sem qualquer réstia de amor, compromisso ou responsabilidade. Não fosse a prática recorrente do aborto, e só em Portugal haveria mais uns milhares. Os dados mostram que, desde 2007, ano da legalização da mortandade, já foram realizados mais de 250 mil abortos (um quarto de milhão), de forma voluntária. Uma autêntica razia no número de filhos e, por arrasto, no número de pais. Devemos todos estar satisfeitos? Ou será que ainda podemos subir a fasquia? Talvez, como tantos querem, alargar o prazo para o genocídio?

Celebre-se, pois, como o foi com o da mãe, mais um Dia do Pai, tão bem explorado pelo comércio, sendo que quem realmente valoriza a paternidade celebra-a todos os dias – sem alardes, sem megafones, sem cócegas nas redes sociais. Afinal, os sentimentos paternais e filiais são interiores e dispensam publicidade, mas antes acção, exemplo, respeito e cuidado, sobretudo quando as idades são altas em depois de tanto  dar a favor dos filhos, passar a precisar de receber e de ser cuidado.  Será, então, nessa fase, porque se invertem os papéis, em que o pai passa a ser filho e o filho a ser pai, que se deve celebrar verdadeiramente o dia, seja da mãe ou do pai.

18.03.25

Na poça do ridículo


a. almeida

A coisa está tão vulgarizada que a atitude mais sensata – e menos propensa a futuros arrependimentos ou quedas estrondosas na poça do ridículo – será andar mudo e estar calado, levando a vidinha pessoal da forma mais discreta possível. Redes sociais? Só mesmo para trivialidades ou assuntos que nada tenham a ver com a nossa vida.

Como as coisas estão, vê-se de tudo: juras públicas de amor eterno, beijos apaixonados, abraços e outros mimos, viagens, festanças, tudo a dois, tudo como num conto de fadas – com duendes, unicórnios e filtros do Instagram. Semanas depois, lá se foi o amor, instala-se o ridículo e segue-se a próxima sequela, sempre com o mesmo enredo.

Uniões à prova de bala, casamentos de sonho, baptizados principescos, festanças glamorosas nas quintas mais caras, luas de mel em destinos paradisíacos – e, poucos meses depois, mesmo com os filhos ainda a usarem fraldas, lá vem a separação e, inevitavelmente, mais um episódio do mesmo filme. E isto tanto para os mais anónimos cidadãos como para figuras ditas públicas e com tempo de antena em tudo quanto é televisão e revista cor-de-rosa. Ao ridículo não escapa ninguém.

Isto, claro, é fruto da época e do que a casa gasta. E porque todos temos telhados de vidro, já não há quem esteja a salvo destes modernos fenómenos sociais, onde valores como responsabilidade, paciência, tolerância, respeito, fidelidade, simplicidade, recato e ponderação, andam pela lama da rua e valem tanto como um pataco furado. O mal é mesmo geral.
Apesar de tudo, faça-se um esforço, ao menos que se mantenha a noção do ridículo, porque, perdida essa, então a coisa bate mesmo no fundo – e talvez seja preciso chamar um mineiro para afundar ainda mais o poço.

Mas convenhamos: há muito que o pessoal, sobretudo os mais novos, deixou de seguir conselhos e aprender com as quedas e cabeçadas. Mas não há volta a dar. Estão condenados a cair repetidamente no mesmo ridículo, até que ninguém já os leve a sério – além de um desinteressado encolher de ombros e uma frase solta do género:– Outra vez? Esta gente não se manca?

14.03.25

Dilúvio e naufrágios


a. almeida

O Governo foi-se! Já era! Uns relatam a coisa como "queda", outros como "naufrágio", outros como "desastre".

Sendo certo que cada um vê o que quer, e até o mais cego diz "a ver vamos", visto pelo monóculo de cá, o naufrágio foi global. Foram ao fundo a arca inteira e todos os animais que nela se acomodavam. Ninguém se salvou. Não houve Noé ao leme que a conseguisse aguentar, nem pombinha branca trazendo um raminho de oliveira para anunciar terra firme—apenas um lodaçal movediço. Barca ou barco, de animais ou de piratas, a coisa afundou mesmo.

Infelizmente, para mal dos nossos pecados, aproximam-se as tão desejadas eleições, e a larga maioria daqueles piratas, mesmo que mudando de posto, voltará—secos, aprumados, prontos para novos saques—para continuar a desgovernar a barca. Esta seguirá à deriva até ao próximo naufrágio, que, mais coisa, menos coisa, acontecerá dentro de um ano, como uma fatalidade.

Não há volta a dar até porque já diz o povo na sua sabedoria milenar que "quem está no inferno está por conta do diabo".